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Vivemos para escolher e
sofrer as conseqüências. É essa premissa, um tanto
existencialista, que parece nortear o último trabalho do
dramaturgo, escritor e jornalista Marcelo Rubens Paiva,
Mais-Que-Imperfeito. Após temporada no Rio e em
Salvador, a peça estreou em São Paulo na semana passada
trazendo à cena as inquietudes de Kito (Antônio Gonzales),
um macho sensível, músico casado há dez anos com Aline
(Clara Garcia), uma bem-sucedida médica que pensa muito
na carreira e deixa o marido em casa cozinhando. “Para
saber quem é o homem da casa, só é preciso saber quem
usa as cuecas”, proclama Rui (Tato Gabus Mendes), o
vizinho intrometido do casal. No caso, é a própria Aline
que desfila de samba-canção pela sala do apartamento.
Aline e Kito vivem, portanto, uma situação não rara nos
dias de hoje. Serve de metáfora para avaliar o embate
comum entre casais às voltas com o mundo prático,
representado por Aline, e o mundo romântico, dos sonhos,
onde se refugiou Kito. Nesse sentido,
Mais-Que-Imperfeito funciona como uma espécie de
espelho da moderna vida a dois. Mas a peça comete um
pequeno pecado, ao se tornar conclusiva demais no final,
quando Kito reavalia seu casamento e decide investir num
antigo amor, Laura (Ingra Liberato). Ainda assim, vale o
ingresso pela fluidez do texto e a divertida
interpretação de Tato Gabus Mendes.
Imperfeições da vida a
dois
Até
30/09 – Teatro Augusta – R. Augusta, 943, tel.: (11)
3151-4141 – São Paulo
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