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Marcelo
Rubens Paiva tinha motivos de sobra para fazer ares de
intelectual na foto tirada em 1990. O escritor
paulistano estava em Brasília para o lançamento do seu
terceiro livro Uá: Brari. A fila de autógrafos recebeu
figuras célebres, como o líder da Legião Urbana, Renato
Russo. “Conheci o Renato em 1983”, lembra o escritor. “A
gente tinha uma turma enorme de amigos e ele era meu
parceiro fiel nas noitadas punks paulistanas. Éramos
freqüentadores assíduos dos bares Nepal, Carbono 14 e
Rose Bom-Bom.” Sempre que viajava a Brasília, Marcelo
ficava hospedado na casa de Dado Villa-Lobos,
guitarrista da Legião Urbana. A festa rolava solta.
Como o pai
de Dado era embaixador, vivia viajando para o exterior.
A casa ficava vazia.

A banda,
então, mudava-se para lá e realizava ensaios que duravam
do amanhecer à madrugada. “Eles começavam a tocar bem
cedo e me acordavam”, ri Marcelo, nostálgico. O passado
deixou saudade. Renato Russo morreu em 1996, vítima de
aids, e Marcelo Rubens Paiva, que fez sucesso com o
livro autobiográfico Feliz Ano Velho, lançado no início
da década de 80, debruçou-se sobre textos para teatro.
Na semana passada, estreou no Teatro Augusta, em São
Paulo, sua mais recente peça, Mais que Imperfeito, com
Ingra Liberato e Tato Gabus Mendes no elenco. Incansável,
o autor de 42 anos colocou o ponto final na próxima
montagem teatral, Closet Show.
“É o
último texto da trilogia que começou com E aí, Comeu?”,
adianta. “Agora estou em fase de mexer os pauzinhos para
produzir o espetáculo.”
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