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A geração dos 30 e poucos
anos vai se reconhecer. No Retrovisor, de Marcelo Rubens
Paiva, que estreou semana passada em São Paulo, é mais
um acerto de contas entre seu autor e os anos 80, que
foram estigmatizados como a década perdida.
O flashback inicia-se a
partir do reencontro de dois velhos amigos. Marcos
(Otávio Muller) e Ney (Marcelo Serrado), que trazem na
bagagem da memória as referências musicais e do teatro
criado há duas décadas, resgatam suas afinidades e
revisam suas utopias. Juntos, os dois viram shows da
Legião Urbana, assistiram ao primeiro espetáculo do
grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, riram da onda gótica e
quiseram mudar o mundo. Hoje, Marcos é bancário e Ney,
após sofrer um acidente, ficou cego e virou cantor
brega.
Engenhoso, o texto
sensibiliza o espectador e diverte com seus diálogos bem
humorados e muitas vezes carregados de nostalgia. A
direção de Mauro Mendonça Filho privilegia a música para
fazer os interlúdios entre uma ação dramática e outra.
Muller e Cerrado, na faixa dos 30 e poucos, sabem do que
falam e defendem com paixão seus papéis. Mas alguns
convencionalismos pairam sobre a encenação que, ao som
de New Order, reitera que o grande personagem são os 80.
A década deixou marcas mais profundas sob o saudosismo
que permeia o espetáculo.
Para os trintões.
Até 22/12 – Teatro Augusta
– r. Augusta, 943, tel.: (11) 3151-4141 – São Paulo.
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