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Marcelo Rubens Paiva já
foi lido por toda uma geração. Seu primeiro romance, o
autobiográfico Feliz Ano Velho (1982), ganhou o
prêmio Jabuti, virou filme e foi o livro de cabeceira de
muitos jovens brasileiros nos anos 80 e começo dos 90.
Mesmo tendo investido na literatura mais algumas vezes
após esse best-seller, o jornalista paulistano nunca
conseguiu lançar uma outra obra à altura e acabou não se
firmando na constelação das letras nacionais.
Essa situação tem tudo
para mudar agora. Malu de Bicicleta (Objetiva,
224 págs., R$ 27,90), sua volta aos romances depois de
oito anos dedicados ao teatro, mostra a maturidade e a
consistência características de um bom escritor.
O universo masculino é o
métier de Rubens Paiva. Ele já usou a temática em
suas peças e, no livro, vai bem fundo nela – dá muita
ênfase àquilo que o homem mais valoriza em sua vida
pessoal, o sexo. O paulista Luiz narra a história. Ele é
um galinha, comedor, predador, mulherengo, ou qualquer
outro adjetivo usado para um colecionador de amantes com
aversão a compromisso. Enquanto faz um balanço de sua
vida amorosa, desde a descoberta do desejo sexual na
infância/adolescência com a empregada até se tornar um
conquistador decadente, Luiz vai escancarando sua novela
com a misteriosa carioca Malu, o calcanhar-de-aquiles
desse sedutor. Ela foi a única mulher pela qual se
apaixonou, com quem se casou e por quem sofreu. Ele
desconfia que ela tem um caso com outro homem no Rio de
Janeiro, para onde passou a viajar constantemente, e
fica atormentado com essa possibilidade.
Dom
Casmurro moderno.

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