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Marcelo Rubens Paiva
Escritor 3 em 1:
Literatura-Teatro-Jornalismo
Passados 22 anos, o primeiro livro de
Marcelo Rubens Paiva, “Feliz Ano Velho”,
ainda é um dos mais vendidos em todo o País.
A autobiografia, que virou peça e depois
filme, fez do autor um símbolo da juventude
brasileira nos anos 80. Duas décadas depois,
ele se considera maduro profissionalmente a
ponto de classificar sua última obra, “Malu
de Bicicleta”, como a mais bem escrita entre
todas as suas produções: “Quanto mais se
escreve, melhor se escreve!”.
Marcelo sempre aborda temas próximos da
realidade e para escrever “Malu de
Bicicleta” ele buscou inspiração em
situações freqüentes entre casais que vivem
relações conturbadas, inseguras e, ao mesmo
tempo, apaixonadas. “Malu” é a história de
um mulherengo que se casa com o grande amor
da sua vida e, mais tarde, mergulha em um
profundo desespero após ser traído pela
esposa. “Hoje em dia, basta duas pessoas se
juntarem para os conflitos começarem, porque
eu acredito que existe um amor para cada
fase das nossas vidas e as pessoas mudam ao
longo do tempo.” |
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“FELIZ
ANO-NOVO”
Lançado em
1982, o livro “Feliz Ano Velho” é um desabafo
emocionante em que o jovem Marcelo Rubens Paiva expõe as
mudanças drásticas ocorridas em sua vida com a perda do
pai, o deputado Rubens Paiva, e o acidente que o deixou
paraplégico aos 20 anos. “O sucesso do livro tem a ver
com a sinceridade com que abri o coração sobre a minha
vida. Isso tocou as pessoas.”
Apenas numa suposição de como seria a versão atual do
livro, um “Feliz Ano-Novo”, Marcelo explica que não
faria uma autobiografia, mas, ainda assim, escreveria
para e sobre os jovens. “Falaria certamente do avanço
tecnológico que envolve a geração atual. Dos blogs, dos
games, da informática, do mp3, da velocidade com que
tudo se renova e fica mais literatura moderno… Esta
juventude está toda sintonizada, porém, existe uma
carência de leitores, de jovens que freqüentem o teatro,
leiam poesia e assistam a filmes de qualidade.”
Depois de “Feliz Ano Velho”, outros livros de Marcelo
também fizeram o caminho do teatro e do cinema. O
exemplo mais recente é “No Retrovisor”, sucesso nas
livrarias e nos palcos, que agora vai para as telas com
adaptação do próprio autor. “Estou envolvido na produção
do filme e gosto disso, mas precisei entender que a
leitura é outra e o ritmo também... por essa razão, é
importante que o cineasta faça a leitura cinematográfica
do livro. Ele tem uma visão diferente, bem mais
interessante para a linguagem do cinema.” Uma das obras
prediletas de Marcelo, “No Retrovisor” retrata o
espírito contestador de uma geração que viveu sob a
ditadura militar e depois conquistou a liberdade com a
volta da abertura política. |
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O ESCRITOR TAMBÉM É DRAMATURGO

Ainda antes do acidente, Marcelo chegou a
atuar no teatro amador, mas logo percebeu
que se saíria melhor como dramaturgo do que
como ator. “Escrever uma peça ou um livro
são coisas completamente diversas. São dons
diferentes ligados por um componente só que
faz a química acontecer: a palavra. Sou bom
nas duas funções porque aprendi a fazer as
duas. Quer dizer, ninguém é bom 100%! Apenas
algumas obras são realmente boas, da mesma
forma que Federico Fellini tem alguns filmes
interessantes e outros não. Assim acontece
com os artistas, os músicos... Já fiz tanto
peças como livros ruins que, por sinal,
acredito que sejam a maioria.”
Além de escritor e dramaturgo, Marcelo
destacou-se também como crítico literário da
revista "Veja" e, atualmente, escreve
crônicas para diferentes publicações.
Recentemente, conquistou uma coluna semanal
no jornal "O Estado de S. Paulo" em que
narra histórias pessoais misturadas às
investigações de seus oito anos como
repórter.
“Tenho muita história para contar. Um
colunista tem a obrigação de pensar nos
temas mais quentes só que, ao mesmo tempo,
quero mesclar tudo com informação…
Pesquiso assuntos interessantes, mas
esquecidos ou ignorados pela mídia, sobre
cinema, teatro e literatura.”
SÃO PAULO
Marcelo sempre destaca em suas obras o meio
ambiente, o homem e, especialmente, os
centros urbanos onde viveu: São Paulo,
Campinas, Santos e Rio de Janeiro. Grande
admirador de São Paulo, no livro “Feliz Ano
Velho”, por exemplo, ele se refere à Avenida
Paulista como uma mulher bonita e desejada.
“Passo praticamente o dia inteiro dentro de
casa e só saio à noite. São Paulo me dá
todas as opções de programação que eu gosto:
ir ao cinema, assistir a uma peça e jantar
em um restaurante. Não troco São Paulo por
nada!
Para quem não conhece a cidade, eu diria
para começar pela cafeteria do Museu de Arte
Moderna (MAM), que nem é muito cara, e
depois visitar a Pinacoteca do Estado e o
Parque da Luz, que são lindos!”
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Jogo Rápido
Marcelo Rubens Paiva
Idade:
45
Hobby: Pôquer
Autor: Machado de Assis, Franz Kafka e Fiódor
Dostoiévski.
Ídolo: Pelé
Programa de TV: South Park
Os jovens de hoje: Diferentes
Os jovens da sua geração: Cada um era do seu
jeito.
Mania: De fumar.
Sonho de consumo: Uma TV grande, de plasma.
Dia de paz: Assistir ao futebol com os sobrinhos,
num domingo à tarde.
Inesquecível: Os amigos Qualidade: Sei blefar!
Trabalhos de que mais gosta: A peça “Da Boca Para
Fora” e o livro “No Retrovisor”.
Próximo livro: Nem adianta querer saber alguma
coisa porque nem eu sei! Não sei sobre o que vai ser e
muito menos alguma previsão de quando estará pronto.
Literatura x teatro x jornalismo: A literatura me
dá a liberdade de detalhar qualquer trecho e de estender
um tema da forma que eu bem quiser. No teatro, é preciso
ser sucinto e no jornalismo, respeitar os manuais. Na
literatura não preciso de nada!
Homens x mulheres: Os homens são sempre exatos,
óbvios, chapados. Já as mulheres são misteriosas,
imprecisas, além de não largarem um filho pra trás ou
qualquer coisa que tenham começado
a fazer.
Rotina: Hoje em dia, eu não tenho uma rotina de
trabalho. Passo o dia inteiro e madrugada adentro
escrevendo. As pessoas não entendem que escrever não é
apenas estar diante do teclado, mas pesquisar, imaginar,
pensar durante o banho... Digitar é só um dos elementos
necessários para escrever.
O bom escritor: É um bom observador que se apega
aos detalhes, à ironia que existe por trás das pessoas,
às neuroses e, claro, é aquele que lê e escreve muito!
Uma frase: Nenhuma! Detesto todas essas frases
feitas! Não guardo nem memorizo!
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