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Efeito Colateral do Mensalão
Marcelo Rubens Paiva lança livro e diz que a crise
política elevou a libido nacional
Muito já se falou e escreveu sobre a crise política
enfrentada pelo governo Lula e pelo PT. Nesse processo,
a derrocada ética do partido do presidente foi
relacionada a uma sem número de coisas. Até agora, no
entanto, ninguém havia analisado o impacto do mensalão
sobre a vida sexual do brasileiro. Coube a Marcelo
Rubens Paiva, que lançou recentemente O homem que
conhecia as mulheres (Editora Objetiva), essa
missão. O escritor e dramaturgo acha que a série de
escândalos protagonizados pelo PT afetou, positivamente,
a libido nacional.
- Com a decadência das ideologias, o erotismo vira um
lazer prioritário. Neguinho antes ia a reuniões
clandestinas, lia manifestos, realizava comícios e
passeatas, promovia revoluções. Lutar por seus ideais
era o sentido da vida. Agora, sem nada disso, faz o quê?
Ora... – diz ele – Quanto ao PT, deve ter baixado a
libido do Palocci e do Genoíno. Sem o caseiro para
comprar Viagra então...
O escritor seria um dos afetados por esse fenômeno,
digamos, político-sexual. É o que O homem que conhecia
as mulheres, que traz um alto teor erótico, sugere. O
livro investiga os personagens da fauna urbana atual e
seus comportamentos sem esconder o que essas pessoas
fazem entre quatro paredes. É, sem dúvida, um dos
romances mais sexuais de Paiva, que estreou na
literatura em 1982 com Feliz Ano Velho, que marcou uma
geração e vendeu mais de 700 mil exemplares.
- Malu de Bicicleta (2003) também é assim. Creio
que vivo um segundo momento da minha literatura, antes e
depois de Malu. Gosto do tema, não sei explicar. Eu e a
Humanidade gostamos – diz o autor de peças como No
Retrovisor, que reestréia manhã no Teatro Carlos Gomes.
O homem que conhecia as mulheres chegou às
livrarias junto com uma nova edição de Feliz Ano
Velho. A Objetiva comprou os direitos de publicação
de toda a obra de Paiva, que está sendo relançada. O
escritor explica que parte do livro novo não é inédita.
- Eu dividiria o livro em três partes, três novelas
curtas unidas pelo mesmo tema. São elas Stereotype,
O homem rendido pelas mulheres e O homem que
conhecia as mulheres. Em Stereotype, a
maioria das histórias foi publicada em revistas e
jornais, mas reescrevi os textos, deixando-os mais
literários do que jornalísticos. E tem inéditos – frisa
ele. – As outras duas partes são inéditas. O homem
rendido pelas mulheres é uma continuação do Malu de
bicicleta, ambientado no mesmo lugar, na mesma
época.
- Acho que vivemos um momento rica a ser explorado pela
literatura, o da tolerância, da emancipação sexual das
mulheres, da liberdade religiosa, da democratização dos
costumes e valores. Não existe mais o papel do homem ou
da mulher – acredita. – Os tipos humanos de hoje são
diferentes entre si. Procuro mostrar que por trás de
estereotipo há contradições. Só uma coisa não mudou.
Tudo o mundo busca um amor para si.
Escritor defende a atriz Susana Vieira de críticas
Paiva está com 47 anos. Há quem diga que os homens que
ultrapassam a linha dos 50 começam a pensar menos em
sexo. O escritor rebate essa idéia com veemência.
- É um tremendo engodo afirmar que com a idade perde-se
o interesse em sexo. A cabeça é a mesma. Passam
garotinhas deliciosas e qualquer quarentão, cinqüentão,
sessentão vai atrás, sente os mesmos desejos de antes.
Se eu fosse uma garota jovem, saía com um cara desta
idade ontem – diz. – A mente não envelhece. O tesão,
idem. Pergunte ao Chico Buarque e ao Mick Jagger.
Ele afirma que o mesmo vale para mulheres que namoram
homens mais jovens, como a atriz Susana Vieira, que
costuma ser criticada por esse comportamento.
- Têm é inveja dela. Não existe mais isso de homens
novos e velhos, mulheres novas e velhas. Millôr
Fernandes é mais jovem do que muito marombeiro. E Susana
Vieira dá de dez em muita atrizinha de Malhação. O velho
de hoje é muito jovem, e há jovem que dá sono e tédio,
como um vovô. Raí é avô há muito tempo. E Cláudia Ohana,
avó. Quem expulsaria estes avós da cama? – brinca.
O escritor já se viu nessa situação.
- Eu tinha 44 e ela, 19. O único problema era que ela
não sabia quem foram os Beatles. Tudo bem, nem fui
beatlemaníaco, era criança quando eles acabaram. No
entanto, ela me apresentou muita banda nova – conta.
Bruno Porto
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