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A cidade de Marcelo

Marcelo Rubens Paiva lança ‘O Homem que Conhecia as Mulheres, obra cheia de referências a São Paulo... e às mulheres

LUDMILA AZEVEDO

 

Marcelo Rubens Paiva é fascinado pelas mulheres. Fato evidente em sua trajetória como escritor. Ele busca decifrá-las, assim como os personagens masculinos, que também as devoram. Ambos trazem muito de realidade por trás da ficção e são ambientadas na São Paulo caótica, cosmopolita e envolvente. Paiva é um observador atento a detalhes. Divido entre a literatura, o jornalismo e o teatro, o paulistano acaba de lançar o livro O Homem que Conhecia as Mulheres e hoje participa do projeto Letras em Cena, com a leitura da peça Deus é um DJ, no auditório do MASP, às 19h30.

Na publicação, cinco capítulos revelam uma galeria rica em personagens. A capital não só é o pano de fundo de encontros e desencontros, como a protagonista da história. Em ‘I Love SP’, Marcelo Rubens Paiva fala de um passado recente, com gosto de nostalgia. No entanto, a cidade presente é a essencial, a insubstituível.

“Existem dois tipos de arte: a contextualizada e a aberta. Eu gosto muito da primeira. Quando escrevo, preciso mostrar São Paulo: suas ruas, a Parada Gay, as boates e outros lugares. Alguns críticos acham que isso torna a obra datada, mas Machado de Assis era contextualizado com o tempo em que viveu. Quem não conhece a cidade a fundo, pode exercitar a imaginação”, defende o escritor.

Nesse panorama, a existência de personagens típicos, que trafegam por grandes metrópoles, é inevitável em O Homem que Conhecia as Mulheres. Marcelo Rubens Paiva os encaixa em ‘Stereotype’: há a Pingucinha, que toma todas em bares da Vila Madalena, a Carioca-SP, apaixonada pelos bailes funk da Vila Olímpia, a Celinha-Helena, atriz iniciante freqüentadora de botecos da Rua Augusta, a Densa, figurinha carimbada das mostras de cinema e ainda o conquistador habitué do Vegas, a que adora a Daslu, a que quer incendiar a Daslu.

Com um humor ácido, Paiva trata da eterna busca de amor. “Eu sou esse cara cínico, tirador de sarro e gozador. Minha formação é de anarquista. Nunca fui simpatizante do PT ou do PSDB. Sempre estive muito acima ou muito abaixo”, declara. A isenção nas escolhas ideológicas não acompanha a predileção de um tema: as mulheres.

“Elas são mais interessantes e minimalistas. Um homem jamais passaria roupa e choraria (como faz uma das personagens que sente “saudades da escola, da avó e da vida sem muita ambição”). Eu sempre tive muitas mulheres à minha volta. Namorei, fui casado e acho que o homem, em geral, não sabe aprender com a mulher”, explica.

 

Publicado no Jornal da Tarde, edição de segunda-feira, 17 julho de 2006

 

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