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Marcelo Rubens Paiva volta a falar da geração de 80 em nova comédia

 

Marcelo Rubens Paiva volta a falar da geração de 80 em nova comédia

05:45 10/10/02

Michel Fernandes, especial para o Ultimo Segundo

SÃO PAULO - Um acerto de contas bem-humorado e a proposta da peça "No Retrovisor", de Marcelo Rubens Paiva, sob direção de Mauro Mendonça Filho ("A Megera Domada"), que estréia nesta sexta (11), 22h, no Teatro Augusta.

 

Dois amigos de juventude que compartilharam, em plena década de 80, ideais artísticos vanguardistas reencontram-se depois de anos, de maneira bastante diversa da situação dos anos 80. Um deles, Ney, sofreu um acidente e perdeu a visão. Acabou fazendo sucesso como cantor pop de um romantismo duvidoso. O outro, Marcos, trocou as pretensões artísticas pela necessidade de ganhar dinheiro num emprego comum para manter sua família. O encontro dos dois, interpretados pelos atores Marcelo Serrado e Otavio Muller, faz com que eles façam uma comparação entre o que desejavam ser e o que são.

Em entrevista ao Último Segundo,o escritor Marcelo Rubens Paiva falou sobre o processo de criação de "No Retrovisor" e sobre seus projetos futuros.

Último Segundo - Como surgiu a ideia de escrever a peca?
Marcelo Rubens Paiva - Faz tempo que eu queria retomar o tema, deficiência, a reabilitação e os preconceitos. Por outro lado, faz tempo também que eu queria recuperar a importância dos movimentos culturais dos anos 80. Juntei estas duas inquietações escrevendo uma peça em uma semana, bastante emocional.

US - Você disse que esta participando bastante dos ensaios. Em que medida este contato tem modificado o texto? Como isso ocorre?
Paiva - Se Shakespeare participava dos ensaios, por que não? É uma forma de o autor conhecer melhor seu texto, aprofundar, ouvir na boca dos atores, trocar figurinhas com eles e com o diretor, cortar as gorduras e ressaltar certos conflitos. Por outro lado, como se trata de uma peça que homenageia os anos 80, quando o teatro era feito coletivamente, decidimos criar também coletivamente a primeira cena da peça.

US - Esse texto tem alguma proximidade temática com suas outras peças?
Paiva - Todas as minhas peças são diferentes entre si e são iguais. Isso é algo que persegue um autor, sempre existe uma pessoalidade não-disfarçada. Chama-se isso de estilo. Mas acredito que "No Retrovisor" seja uma evolução da minha dramaturgia, porque é a última peça. Depois de oito peças, certamente melhorei, entendo mais a carpintaria e ouso mais. Esta talvez seja a peça em que mais explorei os truques do Teatro de Memória, em que a narrativa corre paralela à dramaturgia. Há grandes bifes. Quase dois monólogos. Como se dois amigos se encontrassem, mas falassem para si.

US - Quais seus projetos futuros?
Paiva - Eu estou também em cartaz no TBC ("As Mentiras que os Homens Contam") , no Rio ("Closet Show") e, a partir de novembro, no Sérgio Cardoso, estréia a tradução de fiz de "A Tempestade", do velho Shakespeare, para o Grupo XPTO.

No Retrovisor. Estréia sexta (11), 22h. Sextas, 22h. Sábados, 20 e 22h. Domingos, 19h. Teatro Augusta. Rua Augusta, 943. Consolação. Tel. (11) 3151-2464. Ingressos: R$ 30 e R$ 35.

 

 

Publicado no Último Segundo, em 10/10/02

 

 

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