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"Namorei seis mulheres
na vida"

Paulistano, nascido em 1959, Marcelo
Rubens Paiva é escritor, dramaturgo,
jornalista e colunista dos jornais Estado
de S. Paulo e O Dia. Em 1982, com
o romance autobiográfico Feliz Ano Velho,
tornou-se nacionalmente conhecido. É autor
de vários romances e outros livros
traduzidos para seis línguas, entre elas
inglês, alemão e tcheco. A Objetiva acaba de
comprar os direitos de publicação de toda
sua obra. Aqui ele nos fala sobre seu novo
livro, a coletânea de contos e crônicas O
Homem que Conhecia as Mulheres.
1 - O título do seu livro é sugestivo.
Seria você o homem que conhece as mulheres?
Há quem diga
que essa coroa ninguém tira do Chico
Buarque... O título é uma provocação, claro
que ninguém conhece, nem elas. Eu tenho uma
intuição forte com as mulheres e me
identifico com elas, pois venho de uma
família matriarcal, feminista. Gosto do
tema. Gosto de provocar. Depois de Feliz
Ano Velho descobri que a coisa que a
mulher mais gosta é de um homem falando
sobre elas.
2 - Na série stereotypes, você traça o
perfil de várias mulheres. Da "pingucinha" à
"neo-patricinha", passando pela
"tarja-preta". O que elas teriam em comum?
Que por trás
das aparências há uma angústia profunda, uma
vontade de dar certo, uma solidão
existencial que não passa. Toda mulher acha
que aquele problema é só dela.
3 - Uma das suas personagens "sempre
chora quando passa roupa". O choro, aliás,
pode ser considerado quase uma patologia
feminina. Você sabe responder por que as
mulheres choram tanto?
Mulher chora
quando está feliz, triste, goza, não goza,
quando nasce alguém ou morre, quando há um
casamento ou um divórcio. Mulher é capaz de
trair um cara quando o está amando. Chora
porque tudo é intenso.
4 - Sua fama de namorador e sedutor
irresistível já ultrapassou as fronteiras
paulistanas. As personagens radiografadas no
seu livro são inspiradas em mulheres reais
que passaram pela sua vida?
Isto é uma
infâmia. Tenho 47 anos e namorei seis
mulheres na vida. Sendo que com uma delas
fiquei nove anos. Quanto às personagens, são
invenções inspiradas em amigas ou amigas de
amigos, ou ex, ou deslizes da minha
imaginação.
5 – Homens sedutores costumam perder a
conta das namoradas que tiveram. Você já
perdeu a sua?
Não. E sei o
nome de todas e continuo amigo delas.
6 – Marcelo Rubens Paiva está casado,
solteiro ou namorando?
Passo.
7 - O galinha Marcos, jornalista charmoso
e educado que protagoniza o conto "O homem
rendido pelas mulheres", é definido como um
excelente sedutor, mas péssimo conhecedor
delas. Já o personagem que dá título ao
livro é um simples biscateiro, que já foi de
motoboy a bedel de faculdade. Podemos
concluir então que nível de cultura e
quantidade de amantes não são fundamentais
para um expert em mulheres?
Sim, vem da
observação e sensibilidade, não da
escolaridade. Há teóricos da rotina humana
que são pessoas simples. Minha empregada,
semi-analfabeta, é uma. Se tivesse
oportunidade, seria uma excelente
psicanalista. Ou ministra.
8 - Uma das várias máximas do seu livro
é: "Mulheres precisam de um homem que as
faça rir". Você concorda 100% com essa tese?
Acha que o humor é mesmo o principal
requisito de um sedutor?
Sim, é o que
acende a luzinha nas mulheres. Não é a
barriga tanquinho, a beleza Gianecchini, o
cabelo alinhado, a calça Diesel. É o jeitão
misterioso. Pessoas engraçadas e que não se
levam a sério são misteriosas.
9 - Rodolfo, o biscateiro, diz que não vê
motivo para tentar entender as mulheres.
Outro personagem diz que é perda de tempo
tentar fazer isso "porque, no dia seguinte,
são outras..." Estaria aí a chave para lidar
bem com elas?
É, mulher te
diz eu te amo de manhã, pede um tempo à
tarde e volta pro ex à noite.
10 - O seu livro é ambientado na
metrópole urbana, mundo bastante explorado
por você, que é um notório boêmio e
freqüentador dos melhores centros de
azaração da noite paulistana. Neste grande
"mercado erótico" contemporâneo, quando se
trata de conquista e sedução, quem anda mais
esperto, o homem ou a mulher?
O mundo
contemporâneo tem as mesmas regras de quando
vivíamos em cavernas. O homem atiça, a
mulher acata ou não. Mas é ela quem escolhe
e sempre será. Li uma frase num blog uma vez
de uma menina dizendo algo super
esclarecedor: "Nós mulheres sabemos muito
bem que somos nós quem escolhemos, e quando
não queremos não rola".
11 - Agora falando sério, você realmente
acredita que é possível qualquer homem
afirmar com segurança que conhece as
mulheres?
Devolvo a
pergunta: existe alguém que "com segurança"
conhece mesmo os homens? E elas também não
se conhecem. Ninguém se conhece. A pior
coisa é pedir conselhos às mulheres sobre
como lidar com outra. Elas só dão conselhos
furados.
Enviado por Leandro em 2006-06-20 (Ter)
14:03.
Fonte: Editora Objetiva
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