|
Bate-papo no UOL, de 02 de agosto de 2007
'Sou contra a censura, mas entendo as
razões do Roberto Carlos', diz Marcelo
Rubens Paiva
Da Redação
O escritor, jornalista e dramaturgo Marcelo
Rubens Paiva participou, a convite da
Bravo! Online na tarde desta
quinta-feira (2) de um Bate-papo com
Convidados no UOL para falar sobre o
relançamento do livro Bala na Agulha,
romance policial escrito por ele no início
dos anos 90.
Numa conversa comandada por Marcelo Tas, o
escritor --além de falar sobre a reedição de
seus livros-- comentou o episódio da censura
da biografia do cantor Roberto Carlos.
Rubens Paiva colocou-se contra a censura,
mas diz que entende as razões que levaram à
atitude do cantor de proibir a obra. 'Fui
muito denegrido como pessoa (pela mídia).
Entendo o Roberto Carlos, mas tem que ter um
acordo entre os dois lados (biógrafo e
biografado)', comenta.
O autor de Feliz Ano Velho e Malu
de Bicicleta contou aos internautas do
UOL que a peça No Retrovisor,
atualmente em cartaz em São Paulo, vai
ganhar uma versão cinematográfica numa
produção da O2 Filmes, de Fernando
Meirelles. Ele disse também que o livro
Bala na Agulha, agora em nova edição no
Brasil, está sendo lançado na França. Sobre
uma possível viagem para acompanhar o
lançamento na Europa, Rubens Paiva disse que
adoraria, caso lhe pagassem a passagem.
Afinal 'a única vantagem de ser escritor é
viajar de grátis'.
Leia a seguir a íntegra do bate-papo que
contou com a participação de 346 pessoas.

(04:24:43) Marcelo R. Paiva: Boa
tarde...
(04:26:34) Marcelo R. Paiva: A peça
No Retrovisor está em cartaz em SP no
Centro Cultural de sexta, sábado e domingo.
O ingresso é R$ 15,00, mas como sei que todo
mundo tem carteirinha de estudante, sai por
R$7,50. Está há quatro anos em cartaz e vai
ficar só mais duas semanas porque agora
vamos parar a peça para começar a filmagem
com a produtora O2.
(04:26:52) Marcelo Tas: Você está metendo
a mão sem dó nos originais dos seus
romances? Que tipo de coisa você tem
alterado mais?
(04:29:58) Marcelo R. Paiva: Todos os
meus livros estão sendo republicados. Tirei
algumas frases feitas onde na época eu não
consegui expressar um pensamento. No Não
És Tu, Brasil eu tirei 40 páginas de
documentos que eram inéditos na época, hoje
não é mais porque tem o Google. O
Blecaute tinha expressões politicamente
incorretas que não incomodavam na época e
hoje chocam, por exemplo, "crioulo"... O
Feliz Ano... foi o livro que menos mexi.
Tirei algumas coisas como o nome de uma
família se sentiu ofendida. No Não És Tu,
Brasil eu tirei a história de um
personagem que era um guerrilheiro e com o
Lamarca lutou no Vale do Ribeira e pelo que
eu pesquisei em dez a quinze livros ele
tinha mudado de lado e virado um informante
da polícia. Mas uma pessoa contestou isso e
me disse que viu ele sendo morto devido a
tortura, como não sei o que aconteceu achei
melhor tirar este nome.
(04:56:26) Marcelo R. Paiva: Sobre o
Bala na Agulha: Está sendo lançado na
França também. Eles gostam de Paulo Coelho e
Bala na Agulha que é um livro policial, são
obcecados por isso. Se me pagarem eu viajo
pra lá. A única vantagem de ser escritor é
viajar 'de grátis'. Eu viajo bastante, tem
muitas feiras de livros e eventos
internacionais.

(04:30:42) Marcelo Tas: Qual o seu livro
mais delirante? Aquele que você olha hoje e
diz: não fui eu quem escreveu isso!
(04:33:51) Marcelo R. Paiva: O
Blecaute é um livro bastante
impressionante porque eu vinha de uma toada
autobiográfica falando de polícia, de
sexualidade, de geração, de cultura e
contracultura e de repente eu fui para uma
história quase de ficção científica. Eu
achei interessante este processo de quebrar
esta linha do que eu vinha fazendo para algo
diferente. Engraçado que o Feliz Ano...
tem um público mais feminino e o Blecaute
já é mais masculino. O Bala na Agulha
foi inspirado na literatura policial, uma
fase de escritores muito fãs de Rubem
Fonseca. E ele tem uma trama muito bem
bolada, me surpreendo relendo este livro.
Foram os três livros mais loucos, mais
corajosos e que mais venderam, Blecaute,
Bala na Agulha e Feliz Ano....
Já o Não és Tu, Brasil foi o que mais
repercutiu, onde eu recupero a história da
guerrilha no Vale do Ribeira. Os meus livros
mais populares foram os mais corajosos.
Tenho uma frase do Vinícius de Moraes que
tenho tomado para a minha vida que é: A arte
não gosta dos covardes. A gente sempre tem
que ter um pé a mais, pode ir para o
grotesco como para a boa obra.
(04:35:16) Marcelo Tas: A mulher de...
qual dessas você conhece melhor?
(04:39:38) Marcelo R. Paiva: A crônica
"A Mulher de" foi publicada no Estadão e foi
publicada no livro As Cem Melhores
Crônicas Brasileira, do Joaquim Ferreira
dos Santos. Me escolheram como um dos
cronistas. Eu acho ali eu misturei todas as
mulheres que conheci em minha vida. Fiz um
perfil mais ou menos estereotipado, mas é
uma brincadeira. Destas mulheres eu não
conheço todas, é mais superficialmente. Nem
fui para cama com elas, conheço porque eu
observo e converso muito com minhas amigas
mulheres. É engraçado que no Brasil os
homens têm dificuldades de ficar amigos de
mulheres. Eu fico amigo porque eu tive
quatro irmãs, a minha casa era
predominantemente feminina, então converso
com minhas amigas como converso com minhas
irmãs. No Blecaute a Martina era uma
personagem muito chata e as minhas amigas
reclamaram que eu não sabia escrever sobre
mulher, isso ficou me martelando. E agora eu
só escrevo sobre mulher. Mulher é mais
fascinante, mais contraditório, mais
radical. Mulher é aquela que vai fundo, ela
se separa, é temperamental e é mais de mudar
rápido de opiniões e decisões. Elas sabem
lidar mais com os sentimentos de dor, de
perda do que o homem. E a mulher de hoje é
cem vezes mais interessante do que a mulher
da literatura de Machado de Assis porque
além de ser a mulher que sempre foi agora
elas têm componentes masculinizados muito
interessantes. Elas também jogam futebol,
também é galinha, as de 40 anos agora também
gostam de de garotinhos de 18 ou 20 anos.
(04:23:29) faudel: oi marcelo, td bem,
qual o motivo do relançamento, o que pesou
nessa escolha?
(04:42:12) Marcelo R. Paiva: faudel,
foram duas circunstâncias, a primeira é que
eu mudei de editora. Fui para a Objetiva que
já havia publicado dois livros meus. Então
eles tiveram que redigitalizar toda a minha
obra no Word, aí aproveitei para pedir os
textos para tirar algumas frases que eu
sempre quis tirar. Aí eu aproveitei esta
chance única. Já fiz de todos, só falta
publicar as Fêmeas e o Uabrari.
(04:23:34) gustavo_pe_mg: gostaria de
saber quando coçou seu interesse em escrever
livros?
(04:46:06) Marcelo R. Paiva:
gustavo_pe_mg, apesar de fazer engenharia
agrícola, eu sempre escrevia contos, poemas,
letras de música, participei de um festival
de música da TV Cultura, fazia teatro no
Clube Paulistano e na Unicamp. Então este
lado da comunicação sempre esteve mais
presente do que a engenharia. Quando eu
sofri o acidente eu tive que digitar em
máquina de escrever como fisioterapia. Eu
comecei a escrever contos, poemas, diário
etc. Aí o Caio G. me sugeriu fazer um livro
e até sugeriu o nome do Feliz Ano Velho.
Ele era um editor que estava lançando livros
jovens para público jovens, da edição
Cantada Literária, publicou vários livros e
eu fui o oitavo com o Feliz.... Então
eu tinha uma facilidade muito grande, a
narrativa me vinha como se eu não precisasse
de nenhuma técnica.
(04:45:22) Marcelo Tas: Qual sua rotina
quando está parindo um romance? É diferente
de uma peça?
(04:48:06) Marcelo R. Paiva: A minha
rotina hoje é de escrever o tempo todo, não
consigo me dar ao luxo de ficar apenas
algumas horas escrevendo um romance.

(04:27:14) carola: oi Marcelo, tudo bem?
Tenho acompanhado suas colunas mais recentes
no Estadão e adoooro a série Peneco! de onde
veio a idéia? vc escolhe um vinho de 40ao ou
um de 190?! rsss
(04:48:13) Marcelo R. Paiva: carola, eu
saio muito. Como trabalho em casa, toda a
noite eu preciso sair. Peneco é a
abreviatura de pequenas neuroses
contemporâneas. É uma idéia como o febeapá
que é o festival de besteiras que assola o
país do Stanislaw Pontepreta. E eu fiz o
Penepo que é pequenas neuroses dos
personagens, que somos nós. Eu fiz um que
foi um sucesso tão grande, pois descobri que
todos têm neuroses, como todos escolhem o
vinho de 50, não escolhem o de 40 que é o
mais vagabundo e nem o de 190. E comecei a
fazer uma série, como o peneco do trânsito,
do aeroporto... E tá sendo um sucesso que
quem sabe daqui a dois anos eu escrevo o
livro. Agora tem a série separações, eu já
fiz uns seis. E a série estereótipos que deu
no livro O Homem que Conhecia as Mulheres.
(04:28:03) mauricio: Marcelo, certo dia
(no ano de 1986 ou 1987) eu te perguntei
qual era o significado da Velhinha em
Blecaute e sua resposta foi "Não
interessa, é para fazer você pensar, pode
ser qualquer coisa". Lógico que não foi bem
assim, mas o "Não interessa ficou bem
marcado". Hoje, quase 20 anos depois não
pensei sobre o assunto a despeito de ter
relido o livro. Afinal, existe algum
significado para a velhinha?
(04:49:34) Marcelo R. Paiva: maurício,
não interessa, a resposta continua a mesma.
Ao traduzir um personagem simbólico em
algumas palavras talvez perca a sua riqueza,
é um personagem para cada um fazer a sua
própria interpretação.
(04:29:57) Fátima: Marcelo, vc escreve
inspirado no momento ou suas idéias vem de
acordo com a realidade, o que vc vive?
(04:51:07) Marcelo R. Paiva: Fátima, eu
acho que as duas coisas. Os meus romances
são mais ligados em histórias do passado. O
Não És Tu... é da década de 70,
inclusive utilizando componentes da minha
infância... O Bala na Agulha o
ministro faz um caixa de 5 milhões de
dólares, o que é de colocar na cueca hoje.
Há uma discrepância da corrupção daquela
época para hoje. Mas o Bala na Agulha
é um livro atual. Eu sou mais ligado na
realidade, talvez só um eu faça uma viagem
para o passado, acho que varia.

(04:31:23) faudel: você teve alguma
experiência em Brasília q motivou a escrever
o Bala na Agulha?
(04:53:34) Marcelo R. Paiva: faudel, meu
pai foi deputado federal durante um ano e
meio durante o golpe de 74 e a gente estava
para se mudar para lá, não mudou por causa
do golpe. Depois trabalhei no Ministério da
Cultura durante seis meses e sempre fui
amigo do pessoal do Legião Urbana, ficava na
casa do Dado, uma mansão onde compuseram o
segundo disco. Eu gosto do povo de Brasília,
de ir para lá. O povo de lá é o mais louco
do Brasil, tirando os recifenses que são
baladeiros de primeira categoria e grandeza.
Em SP tem uma turma enorme de recifenses. Os
de Brasília são muito radicais, eu gosto
deste jovem urbano radical que nasceu em uma
selva de pedras tendo que se apoiar em
literatura e cultura para se apoiar no
tédio. Bem diferente do carioca ou do
paulista.
(04:31:45) feliz ano velho: boa tarde,
sou um grande fã do seu livro feliz ano
velho, e indico a todos que não leram, até
já tive que comprar outros exemplares pq
emprestei e não me devolveram, queria saber
como foi qdo escreveu esse livro.
(04:55:22) Marcelo R. Paiva: feliz
ano velho, eu escrevi em 1981. Eu havia
parado de escrever para fazer o vestibular
da ECA e quando entrei escrevi a segunda
parte. Antes do vestibular eu entreguei para
o editor ler e ele adorou e me falou para
fazer a segunda parte. Foi aí que ele deu
este título. O nome que iria ser era Do
outro Lado dos Trilhos.

(04:38:28) Laís: boa tarde Marcelo, li
feliz ano velho quando estava na escola e
seu livro fez muito sucesso entre os
adolescentes. A sua intenção, quando
escreveu o livro, era atingir esse publico??
(04:57:31) Marcelo R. Paiva: Laís, eu
era adolescente, tinha 22 anos. Escrevi uma
história de um garoto de 22 anos com
conflitos próximo dos adolescentes. Mas não
foi a minha intenção.
(04:44:21) carola: Acompanho vocês dois
no Cronicamente Viável.. acho muito legal
principalmente de ver que as idéias de vcs,
marcelos, não são nada parecidas sobre a
internet. Paiva, você é um ser virtual? qual
sua verdadeira relação com a internet?
(05:02:42) Marcelo R. Paiva: carola, uma
das primeiras coisas que eu fiz na minha
vida quando ganhei dinheiro foi comprar um
computador. As pessoas iam na minha casa
para ver o computador. Uma das frases que
tirei do Bala na Agulha era sobre isso, uma
menina foi na casa do cara e falou 'nossa
você tem um PC'. Os meus dois primeiros
livros foram escritos em máquina de escrever
elétricas e a partir daí foi tudo por
computador. Eu estava em Stanford onde
nasceu a internet e lá eu trocava emails. Eu
vi o UOL nascer. A partir de então me
apaixonei pela internet, sou usuário
alucinado do Google, acabei de comprar um
monitor e um computador pela internet. Mas
de uns anos para cá passei a restringir o
meu acesso. Me suicidei no Orkut, só entrei
porque alguém havia criado um com o meu
nome. Não tenho blog e nem site. Não entrei
no MySpace e no Second Life. Não lanço meus
livros pelo You Tube. Tem uma pessoa que tem
um blog muito bem feito chamado O Genial
Marcelo Rubens Paiva, mando um abraço.
Tem um outro cara que mantém um site sobre
os meus livros. Mas eu ainda prefiro, por
exemplo, trabalhar na rádio. Nem de
televisão eu gosto mais, eu sinto muita
falta do tempo livre. Eu vejo os meus amigos
que tem blog e os sinto sendo muito
torturados pela rotina dos blogueiros. Eu
prefiro escrever calmamente os meus livros e
as minhas peças.
(04:45:10) Bell: Marcelo, ainda não vi
nada oficial seu na internet como um blog ou
um site sobre a sua carreira. Só encontrei
informações na editora. Você não gosta de
escrever para a internet? Porque acho que o
seu estilo de escrever seria muito legal de
ler na net...
(05:03:39) Marcelo R. Paiva: Bell, é um
outro estilo. Já me falaram que jornalismo é
jornalismo, crônica é crônica, livro é livro
e internet é internet. Blog é um estilo que
está se construindo. Me falaram que só faz
um blog aquele que fica o dia inteiro ligado
nele. Às vezes eu já fico três dias sem
atender ao telefone...

(04:50:31) luciana: Depois de Feliz Ano
Velho vc nunca mais escreveu nada q falasse
sobre a deficiência e os problemas q vc
enfrentou?
(05:05:02) Marcelo R. Paiva: luciana, a
peça No Retrovisor é sobre um
deficiente visual e eu a escrevi porque o
Feliz... foi publicado dois anos depois
do meu acidente e tinha ainda uma sensação
muito grande de estar se reabilitando. O
No Retrovisor é sobre um cego que ficou
cego 20 anos antes. Então ele já é uma
pessoa reabilitada que tem uma ironia. E eu
sempre quis voltar neste assunto e voltei
neste tema. Ele se passa nos dias de hoje,
mas lembra os anos 80.
(04:50:40) bruno2: marcelo, voce acha que
o malu de bicicleta tem um pouco de dom
casmurro, que voce bebeu muito da fonte de
Machado de Assis??
(05:07:35) Marcelo R. Paiva: bruno2, com
certeza. E o livro que estou escrevendo
agora tem a ver com o Memórias Póstumas
de Brás Cubas. Sou fã do Machado e me
inspirei mesmo em Dom Casmurro para fazer
este personagem. Os anti-heróis do Machado
tem muito a ver com o meu jeito de ser, este
sarcasmo, ironia... Eu sempre criei estes
narradores divertidos que olham para
sociedade de uma maneira muito crítica. O O
Homem que conhecia as Mulheres fala de uma
burguesia nascente, usa uma linguagem
despojada, usa muito a metafísica... Em tudo
isso já dá para ver em como sou apaixonado
pelo Machado e me inspiro por ele.
(04:52:52) Muna: em março deste ano quase
te atropelei na paulista e depois tive uma
crise nervosa...me apaixonei por ti aos 11
anos..
(05:08:41) Marcelo R. Paiva: Muna, eu me
lembro, faz uns dois meses. Seria sorte
atropelar o cara que você quase se
apaixonou. Por favor, dirija mais devagar.
Foi na Paulista com a Pamplona.

(04:58:05) Eneida Afranio: Qual a sua
opinião a respeito da biografia de Roberto
Carlos? Se fosse com você também teria
vetado o livro?
(05:14:56) Marcelo R. Paiva: Eneida
Afranio, acho um tema muito delicado. Não
sou como a unanimidade dos jornalistas e
críticos para condenar o Roberto Carlos por
isso. Não li o livro. Acho que é uma grande
obra do começo da jovem guarda que ele não
queria que fosse publicada. Eu aprontei
muito nos anos 80 e saiu em um livro que eu
organizava um pôquer regado a montanhas de
cocaína. Primeiro que não era eu quem
organizava, nem tinha montanhas de cocaína.
Eu fazia USP e cheirava pouquíssimo. Uma vez
a Veja publicou uma foto minha falando que
eu era viciado em cocaína e na época eu
fazia um programa na TV Cultura. Eu nunca me
viciei, sempre fui o mais careta da turma.
Era uma foto minha com esta legenda. Desta
reportagem já saiu uma má fama. Daí a
revista Amiga fez uma capa falando sobre
drogas na TV, eu fazia o programa Fanzine
na TV Cultura. Apareceu uma foto minha, do
Paulo Ricardo e do Polegar e dizendo que
'segundo o Marcelo Paiva declarou na Veja'.
Eu não tinha declarado aquilo... Então se
fosse comigo, falando das minhas intimidades
dos anos 80 eu iria ficar preocupado com o
que foi dito e da maneira como foi dito.
Então eu não sei se concordo 100% com
aqueles que criticam a posição do Roberto
Carlos. Eu sei o que o R. Carlos é uma
pessoa complicada, mas não sei se todo mundo
tem direito de escrever sobre tudo agora.
Não o condeno. Sobre o desfecho desta
história, é delicado, não quero fazer uma
propaganda a favor da censura, mas eu
entendo o Roberto Carlos. Já fizeram isso
comigo. Tem vários livros com absurdos ao
meu respeito, são coisas que não dá para
controlar. Eu vou ler o livro, mas o que li
pela imprensa é que há relatos das surubas
que faziam na época da jovem guarda, é a
queixa do Roberto. As pessoas tomam o
exemplo americano como o exemplo a ser
seguido, mas lá as editoras não publicam
qualquer porcaria. Eu sei que este livro não
é porcaria. Tem uma pessoa fazendo a
biografia do Rubens Paiva e ela foi indicada
pelo Ruy Castro. Eu pensei em escrever este
livro, mas achei interessante porque ele
está fazendo um trabalho sério e a todo o
momento ele nos liga, checa as informações
para colocar o que é realmente fato. Se a
pessoa não quiser falar comigo, como
jornalista, eu já desanimo e paro. Pois não
haveria o outro lado, que é algo justo e
deve ser levado para a biografia e outros
setores. Só digo que entendo o Roberto
Carlos e sou contra a censura.
(04:58:05) Raphones: Marcelo, uma
pergunta sobre literatura: qual escritor
contemporâneo brasileiro que você leu e
recomenda expressamente? Algum em especial?
(05:18:42) Marcelo R. Paiva: Raphones,
estou lendo um livro de um escritor da moda
chamado Daniel Galera que estou gostando
muito, ele escreve muito bem. Chama-se
Mãos de Cavalo e foi publicado pela
Companhia das Letras. É o autor do livro que
virou filme O Cão sem Dono do Beto
Blant. Ele tem 28 anos, escreve muito bem,
tem um estilo bastante sofisticado e
inteligente. Mas falta algumas coisas nele
que ainda vai adquirir com a experiência,
não é um escritor pronto. Sem dúvida será um
dos grandes escritores brasileiros daqui há
alguns anos.

(05:04:29) carola: como vai ser esse
lance de no retrovisor virar filme?
como está o andamento das coisas, pra quando
vai rolar?
(05:19:49) Marcelo R. Paiva: carola,
tudo indica que no começo do ano que vem já
começam as filmagens. Eu e o Mauro Mendonça
já fizemos o roteiro. E estamos esperando
pouca coisa para fechar a produção.
(05:07:11) kakapinks: qdo vc pretende
lancar um novo livro? e qdo vira a livraria
cultura para que possamos te ver!!!
(05:21:19) Marcelo R. Paiva: kakapinks,
eu adoro a Livraria Cultura e lanço os meus
livros lá. O meu próximo livro será lançado
no ano que vem e se chamará A segunda vez
que te conheci. Ele já está pronto, mas vou
mudar algumas coisas. Não é autobiográfico,
fala sobre a crise de jornalismo e tudo o
que foi discutido no Cronicamente Viável,
sobre o jornalismo na internet. É sobre um
jornalista romântico que acha que o
jornalismo não vai acabar e acaba sendo
demitido pelo jornal, daí se envolve com
prostituição e um monte de trapalhadas.
(05:23:09) Marcelo R. Paiva: Daqui há um
mês no dia 5 de setembro no Sesc Vila
Mariana eu vou autografar toda esta nova
obra. Se não me engano será transmitido por
alguma TV.
(05:23:13) Geovanna/UOL: O Bate-papo
UOL agradece a presença de Marcelo Rubens
Paiva e de todos os internautas. Até o
próximo!"
Fonte:
Bate papo UOL
|