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O Homem Que Conhecia As Mulheres

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Contos/crônicas
ISBN 85-7302-787-8
Primeira
edição:
Paiva, Marcelo Rubens. O homem que conhecia as
mulheres. Rio de Janeiro, Objetiva, 2006. |
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1. Stereotype
2. O Homem Rendido Pelas Mulheres
3. O Homem Que Conhecia As Mulheres
4. Telefone, É Pra Você
5. I Love SP
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O Homem Que Conhecia As Mulheres reúne
diversos textos, alguns originais, outros
extraídos de crônicas já anteriormente
publicadas (O Estado de São Paulo, Vogue
RG, VIP, Playboy), todos tendo como
espinha dorsal a vida na grande metrópole -
a mega selva urbana e sua vida charmosa,
sedutora, de complicada sociabilidade. E é
justamente no lugar em que deveria ser mais
fácil conhecer gente, as personagens parecem
padecer de intensa solidão. Elas se esbarram
e se desencontram, esperam coisas
diferentes, não se reconhecem. E suas vidas
se transformam em histórias a um só tempo
tristes e engraçadas, de pequenas almas
perdidas, inseguras, em busca de algo a mais.
O livro pode
ser dividido em basicamente três partes. A primeira,
Stereotype, como o nome mesmo sugere,
é composta, em sua maioria, de crônicas
sobre tipos que habitam a cidade,
principalmente mulheres. Compreende também
os ótimos Jules, A Noiva e
A Busca, pontuados pela total
perplexidade masculina diante do irracional,
do ininteligível mundo feminino. Deixadas
para o fim de Stereotype, essas três
histórias (acidental ou propositadamente)
parecem preparar o leitor para uma segunda
parte do livro, O Homem Rendido Pelas
Mulheres.
No conto,
Marcos, o sedutor, que tem a experiência
necessária para ser um verdadeiro
especialista em mulheres, descobre não saber
nada sobre o assunto. Jornalista,
inteligente, charmoso e educado, ele se joga
em uma experiência atrás da outra. Não
parece descartar nada - casadas,
compromissadas, feias, bonitas, frígidas,
tímidas, ninfetas, encontros fortuitos,
obsessões do passado. Marcos vive todo tipo
de aventura, triângulos, quadrados amorosos,
até o ponto em que tudo se resume ao mesmo,
encontros sem sentido e sem satisfação. Ele
enjoa e resolve arejar, experimentar algo
novo - que, curiosamente, se trata do ofício
mais antigo do mundo. Agora, pela internet.
Marcos nunca precisou antes pagar para ter
sexo. Depois de várias histórias mal
sucedidas, ele calcula que isso irá fazer
toda a diferença. Fica obcecado com a
perspectiva de experimentar "o prazer do
prazer sem convívio".
Em seguida,
vem O Homem Que Conhecia As Mulheres,
figura que dá título à obra e que,
aparentemente, entende do assunto. Vendendo
pastel e caldo de cana, Rodolfo dá conselhos
aos seus fregueses, conselhos que acabam
dando certo e que espalham sua fama pela
cidade. Com isso, mais freguesia acorre à
sua Kombi, em busca de pastel e de
orientação. Além do tumulto que causa nas
ruas do Centro da Cidade, Rodolfo também
cria comoção ao resolver os problemas
maritais e sentimentais da clientela - ele
"eleva" o nível de felicidade geral e
prejudica ramos estabelecidos do comércio,
como o meretrício e o contrabando de
bebidas. Depois de denúncias do Conselho
Regional de Medicina e do de Psicologia,
Rodolfo é preso e processado. Para livrar o
réu da cadeia, a defesa precisará provar a
teoria de que ele não praticou medicina ou
psicologia ilegalmente, sem licença,
simplesmente porque não entende de mulheres.
Mas, afinal, ele entende ou não do assunto?
Por fim, I
Love SP - não é só uma declaração de
amor à cidade, mas o porquê de ainda valer a
pena habitar a selva de pedra, depois de
páginas e páginas lendo sobre o quão confuso
isso pode ser.
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Com uma
narrativa
divertida e
sexy,
O Homem que
Conhecia as
Mulheres
convida os
leitores a
se perderem,
ou se
reconhecerem,
nas curiosas
criaturas
que habitam
a metrópole
contemporânea.
São
personagens
modernos,
sexy,
engraçados,
e por vezes,
trágicos,
registrados
na prosa
lúbrica de
Marcelo
Rubens
Paiva.
Tem a
Pingucinha
(aquela garota
enturmada,
bonitinha,
independente e
com o fígado
prestes a
explodir), a
Iogue (que
faz cursos no
Nirvana e tem um
namorado viciado
em metadona), a
Beach Girl
(que fuma um
beque de vez em
quando e namora
um surfista que
está na
Austrália como
pedreiro), e a
Tarja
(que vive à base
de Rivotril e
acha tudo uma
derrota). São 30
perfis cruéis,
engraçados,
deliciosos na
sua exatidão.
Os homens,
claro, não ficam
de fora desta
exploração da
espécie. Marcelo
Rubens Paiva nos
apresenta, por
exemplo, Hugo,
um sujeito que
já nasceu
inadequado; e
constata que o
solteiro
mulherengo, no
fundo, inveja os
amigos casados.
O livro traz
ainda, em um
texto pontilhado
de humor, dois
contos sobre a
natureza da
paixão e do
desejo: as
ciladas das
relações de um
homem rendido
pelas mulheres –
um amante em
série –, e a
saga kafkiana de
um outro que
acaba nos
tribunais por
conhecer
profundamente o
sexo oposto.
Para dar
contorno às
curiosas
criaturas que
formam esse
caleidoscópio do
caos é preciso
não temer a
aventura de
explorar a alma
humana. É
preciso também
ser um
observador
atento dos
padrões de
comportamento e
das constantes
armadilhas em
que caem o
bicho-homem e o
bicho-mulher.
Marcelo circula
entre as feras
com intimidade e
as coloca em
foco. Do
contrário, seria
fácil se perder
em meio à rica
fauna urbana.
Ela desorienta,
assusta e
fascina.
(Editora
Objetiva)
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Trecho
(...)
"Você vai
ficar rica quando espalharem... Johnny e
Paul, quando partem pra mais uma guerra,
beijam as namoradas como um amuleto. Quando
voltam, beijam com alívio e não as largam
mais. Cariocas beijam duas vezes. De um lado
e do outro. Pernambucanos, três. De um lado,
do outro e voltam para o primeiro.Paulistas?
Um só está bom, porque está em cima da hora.
Americanos raramente se beijam. Apertam as
mãos. Japoneses nem se encostam. Inclinam a
cabeça um para o outro, numa reverência
tradicional e salubre. Homens argentinos
beijam homens no rosto. Russos, na boca,
escandalosamente. Apenas quando se trata do
líder de outra nação eles se contêm. Dizem
que beijo de esquimó é colocar a ponta
de um nariz na do outro e mexer pra lá e pra
cá, e que beijo de abelha é massagear com os
cílios a pálpebra do outro. Bicotinha é dar
só uma encostadinha nos lábios. Beijoca nem
é beijo, é despedida: tchau, beijoca, vou
chamar o elevador. Já french kiss...
Foram mesmo os franceses que inventaram? Os
adolescentes beijam muito agora. Digo,
ficam. Às vezes, ficam com sete garotas numa
mesma festa. Digo, beijam. E depois comparam
os números com colegas. Quanto mais, melhor?
Um dos melhores beijos é aquele na garota
por quem você está apaixonado, mas não sabe
ainda se é recíproco. Você arrisca, vence a
timidez, olha fixamente, coloca a mão em seu
rosto, aproxima seus lábios, ela entende o
que está acontecendo, ou melhor, o que está
para acontecer, está nas mãos dele agora, e
ela se abre, corresponde, o primeiro beijo,
selamos um pacto, podemos ir longe, cuidado,
vai chover, isso pode render, ir loooongee.
O bom beijo do dia é o de bom-dia. O de
boa-noite, o da noite. Alguns escutam a
banda Kiss na rádio Kiss e se beijam? Tem
prêmio para Best Kiss no MTV Movie
Awards. Para mim, o melhor beijo do cinema é
o de Casablanca. Melhor, mas triste.
O mais criativo? A Dama e o Vagabundo,
o desenho. Alguns dizem que o amor só
funciona quando as partes de um casal são
muito diferentes, e um acrescenta ao outro.
Mas no beijo não é assim. Seu estilo pode
ser completamente diferente do estilo do
outro. Você gosta de rapidez e de densidade,
ela, de delicadeza e meticulosidade. Mas,
pode reparar, o segundo beijo já o da
síntese, encontro de um padrão que é só
daquele casal. Não pára! E, como no mar e no
céu, nenhum beijo é igual ao outro."
"Você fala,
hein?"
"Estou tão
infeliz. No fundo, tudo isso deprime, não é?
Não pára! Ela nunca mais quis me ver".
(...)
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"The heart
raged, grew melancholic and confused and
toward what end? To articulate what nitwit
strategy? Procreation? It told him something.
How millions of sperm competed for a single
egg, not the other way around. Men would
make love with any number of women, even
total strangers, while females were
selective. They were catering to the demands
of one small egg. While males had millions
of frantic sperms screaming: let us out,
please, let us out, now! It was like
personal ads. Dozens of requirements
followed by, "Non-smokers only". Feldman
longed to meet an attractive woman with this
personality: A sense of humour equal to his...
a love of music equal to his and a love of
Bach and balmy climates. In short, himself
as a pretty woman. Pepkin married and led a
warm, domestic life. Placid, but dull. Knapp
was a swinger. He eschewed nuptial ties and
bedded different women: nurses, housewives,
students, a doctor, a salesgirl.... they all
held Knapp between their legs. Pepkin, from
the calm of his fidelity, envied Knapp.
Knapp, lonely beyond belief, envied Pepkin.
What happened after the honeymoon is over?
Did desire grow or did familiarity
make partners want other lovers? Was the
notion of ever-deepening romance a myth...
along with simultaneous orgasm? The only
time Rifkin and his wife experienced one...
was when they were granted their divorce.
Maybe in the end, the idea was not to expect
too much out of life."
(Woody
Allen em Husbands & Wives, 1992) |
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